Abandono de animais cresce durante a pandemia

Abandono de animais cresce durante a pandemia
Durante a crise pandêmica de Covid-19, houve uma elevação no número de adoções de bichinhos abandonados, porém, o número de animais que retornaram para os abrigos também aumentou.

Segundo Roberta Lohane, diretora do abrigo Lar dos Anjos que foi criado durante a pandemia, ela recebe aproximadamente 50 chamados por dia de pessoas que querem abrir mão de seus cachorros. Porém o abrigo já está lotado. “O animal é sempre descarte”, afirmou Lehane ao Correio Braziliense.  “Alguns, simplesmente, falam que vão deixar o cachorro no abrigo. Depois, somem e não conseguimos mais contato. Não deixam nem ração, tampouco se importam se o animal está bem.”

Os custos de administração do abrigo também acabam se acumulando, pois todos os bichinhos que chegam ao local precisam sempre ser examinados, vacinados e aclimatados aos outros animais que moram ali. Sem contar nos casos mais graves que precisam de tratamento veterinário prolongado e a companhia constante de voluntários. Como foram os casos da cachorrinha Milagre, que foi amarrada com as quatro patas presas e jogada em uma cisterna e o da Kitana que sofreu diversas agressões físicas.

pug 801826 640

Para Lohane, o aumento nas adoções, seguidas pelas devoluções quase que imediatas são consequências do isolamento, que fez com que várias pessoas buscassem um companheiro de quatro patas sem se planejarem direito. “Se o dono do lugar onde a pessoa mora não aceita, se a família tem resistência, se não tem carro para transportar o animal em caso de emergência… Isso tudo precisa ser pensado”, ela alerta. 

No abrigo Lar dos Anjos, de 50 cachorros adotados, 40% deles são devolvidos em um período de uma semana.  “A procura por adoção cresceu porque muitas pessoas quiseram amenizar o sentimento de solidão durante o isolamento. Também consideraram a fase propícia para se adaptar ao novo pet, uma vez que passariam mais tempo em casa”, afirma Cecília Prado, que faz parte da Organização Não Governamental (ONG) Clube do Gato, registrou um aumento de 75% em interessados por adotar um gato, entre março de 2020 e março de 2021.

Porém a instabilidade financeira que afetou grande parte dos brasileiros é também um dos principais problemas que levam à desistência dos animais, segundo a diretora-geral do Pro-Anima, Mara Moscoso: “Muitos se desfizeram de animais que tinham há 15 anos, por exemplo.” Outro fator em comum é a mudança física de residência para lugares que não aceitam animais ou até para outros estados. “Ainda assim, a pessoa deve se comprometer com essa vida e tentar inseri-la em possíveis mudanças”, recomenda Cecília.

Um exemplo da responsabilidade e do planejamento necessário para adequar de forma bem sucedida a vida de um animal à de um tutor é da Talita Fernandes, de 34 anos, que decidiu se mudar para a China durante a pandemia, sendo tutora de dois gatos resgatados, Alicia e Chicó, mãe e filho respectivamente. Ela passou por diversos desafios para assegurar a companhia de seus pets.

1 cbnfot180820211338 6819283
Os gatinhos Alicia (E) e Chicó acompanharam a tutora, Talita Fernandes, na mudança para a China. (foto: Arquivo Pessoal/Talita Fernandes)

“Contei com a generosidade de amigos que, por cinco meses, cuidaram deles e de toda a burocracia para a viagem. Foram idas e vindas de incertezas, mas eles chegaram super seguros e saudáveis na nova casa na China. Junto com eles, veio meu conforto de estar um pouco mais perto da minha casa no Brasil e da minha rotina de carinhos”, resumiu Talita.

O que considerar antes de ter um companheiro animal:

– O animal pode viver até duas décadas. Por isso, é necessário planejamento caso haja necessidade de mudanças ao longo desse período

– Organização financeira para gastos mensais, como ração, e despesas eventuais, como idas ao veterinário, vacinas e medicamentos.

– Tempo disponível. O animal depende de apoio humano para realizar algumas atividades e demanda companhia.

–  Compromissos e viagens precisam ser pensados com antecedência. Caso algum familiar ou amigo não possa cuidar do pet na ausência do tutor, o ideal é procurar um pet sitter ou hotel.

Dicas de saúde para a adoção de cachorros filhotes ou adultos

COMPARTILHE ESSE POST

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on pinterest